Presidente de Honduras ordena recontagem total dos votos e convoca diálogo internacional em meio à crise eleitoral
A presidente de Honduras, Xiomara Castro de Zelaya, tomou uma medida extraordinária ao ordenar a recontagem de todos os votos das eleições presidenciais de 30 de novembro de 2025, gerando um intenso debate político e repercussões nacionais e internacionais.
Em comunicado divulgado nas suas redes sociais e apoiado por um decreto legislativo aprovado pelo Congresso Nacional, Castro argumentou que o processo eleitoral foi marcado por irregularidades consideráveis — incluindo falhas no sistema de apuração e a recusa do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) em revisar milhares de atas eleitorais com supostas inconsistências. Segundo a presidente, estas falhas teriam afetado mais de 1,5 milhão de votos, o que constitui, em sua opinião, uma violação da soberania popular.
A medida tem como objetivo que o CNE promova uma recontagem “voto a voto” de todas as 19.000 juntas receptoras de votos do país. Caso o órgão eleitoral se recuse, o decreto estabelece que o processo ficará a cargo do Congresso Nacional hondurenho.
Contexto da disputa eleitoral
Os comícios presidenciais de novembro de 2025 em Honduras foram marcados por uma das disputas mais acirradas das últimas décadas. O candidato conservador Nasry “Tito” Asfura, do Partido Nacional e apoiado publicamente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi declarado presidente-eleito pelo CNE em 24 de dezembro após semanas de atraso e controvérsias na apuração dos resultados.
Asfura obteve cerca de 40,3% dos votos, contra 39,4% do candidato Salvador Nasralla, do Partido Liberal, numa margem que não ultrapassou dezenas de milhares de votos. A candidata do partido no poder, Rixi Moncada, do Partido Liberdade e Refundação (Libre), apoiado por Castro, ficou em terceiro lugar, com cerca de 19%, um desempenho considerado abaixo das expectativas do partido governista.
Reações e tensões políticas
A decisão de Castro de desautorizar a proclamação anterior do resultado eleitoral e ordenar uma recontagem tem provocado fortes reações entre os partidos de oposição e governos estrangeiros. Críticos afirmam que a medida pode configurar uma tentativa de subverter o processo democrático estabelecido e invalidar a vontade expressa nas urnas após o escrutínio oficial do CNE.
Além disso, Castro fez um apelo direto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para participar de um diálogo franco sobre o processo eleitoral e o impacto de declarações externas, especialmente as que favoreceram publicamente o candidato Asfura. A presidente hondurenha afirmou que tais intervenções teriam influenciado negativamente a confiança no processo democrático do país.
Do lado internacional, os Estados Unidos e outros governos têm sinalizado preocupações com tentativas de reversão dos resultados eleitorais e advertido para “consequências sérias” caso se tente anular um resultado considerado legítimo pelo organismo eleitoral oficial.
Impacto social e institucional
A tensão política em Honduras, que já vinha de semanas de atrasos na contagem e acusações de fraude, intensificou-se com a recontagem ordenada pela presidente. Sectores da sociedade civil e da comunidade internacional pedem transparência e respeito às instituições eleitorais, enquanto as forças políticas se dividem entre apoiar a recontagem como forma de reforçar a confiança pública ou repudiá-la como um risco à estabilidade democrática.
A situação coloca Honduras num momento de desafio institucional, com o país ainda sem uma transição clara de poder e com fortes divisões políticas que exigem diálogo e respeito às normas constitucionais para evitar uma escalada de conflitos.

Publicar comentário